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Julgamentos ou interpretações

15 de maio
Segundo Thom Bond, fundador e diretor de educação do New York Center for Nonviolent Communication, “Mesmo que seja possível ver todos os atos como tentativas de atender necessidades, a maioria de nós foi ensinado que as pessoas fazem coisas por outras razões. Nos foi dada uma outra maneira de olhar para as ações das pessoas: uma categoria inteira de razões que podemos chamar de JULGAMENTOS. E os principais são: CERTO x ERRADO, BOM x MAU, DEVERIA x NÃO DEVERIA”.
 
Marshall Rosenberg, o sistematizador da Comunicação Não-Violenta, explica que o uso de julgamentos moralizadores expressa um pensamento de que as pessoas que não agem em consonância com nossos valores têm uma natureza errada ou maligna. Culpa, insulto, depreciação, rotulação, crítica, comparação e diagnósticos são todas formas de julgamento.
 
Ah, você pode estar pensando: “Caramba! Como me livro disso? Minha vida inteira pensando assim!”. E é mesmo desafiador. 
 
Certa vez ouvi o Dominic Barther falando que “somos tão capazes de fazer nosso cérebro parar de fazer julgamentos/interpretações quanto somos capazes de impedir nossas unhas de crescerem”. Confesso que fiquei meio perturbada naquele momento e, ao mesmo tempo, aliviada.
 
Mas logo ele complementou que podemos escolher quem vai na direção do nosso “carro” quando estamos nos relacionando, se são os julgamentos, ou a intenção de nos conectarmos com o outro.
 
E então fez sentido para mim... eu POSSO ESCOLHER ficar com todos aqueles julgamentos na minha cabeça, mas eu TAMBÉM POSSO ESCOLHER ir um pouco mais profundo e buscar entender: que necessidades aquela pessoa está tentando atender? O que será que ela está sentindo? O que será que é importante pra ela?
 
E o convite é justamente esse: FICAR CURIOSO DIANTE DO OUTRO.
 
Eu posso escolher olhar para o outro a partir daquilo que é comum em nós – as necessidades –, e assim, teremos mais chances de realmente nos escutarmos, de vermos um ao outro. Mas também tenho a liberdade de escolher ficar com meus julgamentos.
 
Ah, mas e agora? Fazer julgamentos não é “errado”? 
Opa, mas não queremos mesmo sair desse campo das ideias de certo e errado? 
 
Então vamos nos julgar errados, ou julgar os outros por fazerem julgamentos ou interpretações... e então, não estaremos fazendo o mesmo?
 
Eita... fica confuso, não?
 
Às vezes ficava tão arrebatada com algumas coisas que só conseguia dizer: “isso é julgamento, isso é a tua interpretação!”. 
 
Pode ser uma longa jornada até termos repertório e presença suficientes para responder ao invés de reagir num momento de sequestro emocional! E, para mim, essa jornada começa com a escolha de ter compaixão comigo mesma por estar julgando.
 
Então, como ter compaixão com os nossos próprios julgamentos? 
 
Voltando ao início, também estamos atendendo às necessidades quando fazemos isso. Vamos aos exemplos: rotulando certas pessoas como “malvadas”, nós sabemos que precisamos ficar afastados ou nos proteger para cuidar da nossa necessidade de segurança. 
 
Quando chamamos alguém de “egoísta”, talvez estejamos precisando de maior consideração ou mutualidade?
 
Ao pensar nos julgamentos dessa maneira, posso ter uma compreensão mais profunda e mais compaixão pelas pessoas que estão julgando, inclusive eu mesma.
 
Thom Bond escreveu que “é esse pensamento da necessidade por trás do julgamento que me permite acesso à minha compaixão” e que, dessa maneira, ele não se sente mais compelido a “julgar os julgadores”.
 
Assim, falamos como o julgamento pode nos ajudar a atender certas necessidades. No entanto, enfatiza Thom, “raramente os julgamentos atendem às necessidades de conexão ou compaixão”.
 
Tenho me desafiado a pensar nas necessidades que estão por trás de cada fala que eu considero ofensiva de alguma maneira. Tem sido um processo rico e profundo, embora desafiador porque exige atenção e presença.
 
 
Dados Danielle Toigo.
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